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É O VENTO
É o vento que vem uivando pelas frinchas do infinito é o vento que vem gemendo na espinha do plenilúnio é o vento que vem rolando como um cascalho de treva
É o vento que vem quebrando as vidraças do silêncio é o vento que vem abrindo as cicatrizes da véspera é o vento que vem pulsando nas veias murchas do tempo
É o vento que vem mordendo a carne tenra das nuvens é o vento que vem regendo a sinfonia das águas é o vento que vem varrendo a nostalgia dos túmulos
É o vento que vem trazendo teu sorriso embalsamado é o vento que vem despindo a salsugem de teus seios é o vento que vem moldando tua gótica nudez
É o vento que vem brincando de roda com minha infância é o vento que vem tangendo meus pensamentos sem rumo é o vento que vem traçando o mapa de minha face
É o vento que vem roendo o pergaminho das horas que monótonas gotejam sobre as escarpas herméticas do abismo turvo insondável que me separa de mim
Envio Carlos Machado, poesia.net
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